Cirurgia pediátrica

Hérnia inguinal infantil: como reconhecer e quando procurar urgência

A hérnia inguinal pode aparecer como um abaulamento intermitente na virilha, no escroto ou nos grandes lábios. Mesmo quando não causa dor, precisa ser avaliada por um cirurgião pediátrico.

Dr. Fabrício Gonzaga · CRM-MG 61071 | RQE 63356

Atendimento particular e Unimed no Instituto Doutor Paulo Leite, em Araguari. Informações sobre atendimento pela Unimed →

Entendendo o diagnóstico

O que é hérnia inguinal infantil?

A hérnia inguinal ocorre quando existe uma comunicação entre o abdome e a região da virilha. Por essa passagem, uma alça intestinal, gordura ou, nas meninas, estruturas como o ovário podem formar um abaulamento.

Na infância, ela geralmente está relacionada à persistência de uma passagem embrionária chamada processo vaginal. Não é causada pelo choro, pelo esforço ou por algo que os pais tenham feito.

Como os responsáveis percebem a hérnia?

O sinal mais frequente é um abaulamento que aparece e desaparece. Ele pode ficar mais evidente quando a criança:

  • chora, tosse ou faz esforço;
  • fica em pé ou se movimenta;
  • evacua ou contrai o abdome;
  • está agitada.

Em meninos, o volume pode descer para a bolsa escrotal. Em meninas, pode aparecer na virilha ou nos grandes lábios. Quando a criança relaxa ou se deita, o abaulamento pode desaparecer completamente.

Uma foto pode ajudar na consulta

Como a hérnia pode não estar visível durante o exame, uma fotografia ou um pequeno vídeo feito quando o abaulamento aparece pode auxiliar o cirurgião pediátrico. Não atrase uma avaliação urgente para tentar registrar a imagem.

Como o diagnóstico é confirmado?

Na maioria dos casos, a história relatada pela família e o exame físico são suficientes. O médico avalia o local, a forma como o abaulamento aparece e se existem sinais que sugerem hidrocele, linfonodo, testículo não descido ou outra alteração.

Ultrassonografia pode ser solicitada quando o diagnóstico não está claro ou quando é necessário avaliar melhor uma massa na região inguinal ou escrotal, mas não é obrigatória em toda hérnia típica.

Procure atendimento imediatamente

Quando a hérnia pode estar encarcerada?

Encarceramento acontece quando o conteúdo da hérnia fica preso e não retorna ao abdome. Isso pode comprometer o intestino, o testículo ou, nas meninas, o ovário.

Procure um serviço de urgência se houver:

  • abaulamento persistente, endurecido ou doloroso;
  • choro intenso, irritabilidade ou dificuldade para consolar a criança;
  • vômitos, principalmente repetidos ou esverdeados;
  • distensão abdominal ou recusa alimentar;
  • pele avermelhada, arroxeada ou muito sensível sobre a hérnia;
  • aumento doloroso da bolsa escrotal;
  • massa inguinal dolorosa em uma menina.

Não faça pressão forte nem tente reduzir repetidamente uma hérnia dolorosa em casa. A criança precisa ser examinada.

Importante

Hérnia inguinal não é igual à hérnia umbilical

Muitas hérnias umbilicais fecham espontaneamente durante o crescimento. A hérnia inguinal pediátrica, por outro lado, não costuma desaparecer sozinha e geralmente precisa de correção cirúrgica após o diagnóstico.

Como é feito o tratamento?

O tratamento definitivo é cirúrgico. O objetivo é fechar a comunicação entre o abdome e a região inguinal, evitando que o conteúdo volte a atravessar o canal.

A cirurgia costuma ser programada após a confirmação do diagnóstico. O prazo é individualizado de acordo com:

  • idade e peso da criança;
  • prematuridade e condições respiratórias;
  • episódios prévios de encarceramento;
  • dor ou dificuldade para reduzir a hérnia;
  • conteúdo suspeito no saco herniário;
  • presença de hérnia dos dois lados;
  • condições anestésicas e hospitalares.

Uma hérnia que está sem dor pode permitir planejamento, mas não deve ser ignorada ou acompanhada indefinidamente sem avaliação cirúrgica.

Como é a cirurgia de hérnia inguinal em crianças?

A correção pode ser realizada por técnica aberta, com uma pequena incisão na virilha, ou por videolaparoscopia, com instrumentos delicados introduzidos por pequenas incisões no abdome.

Cirurgia aberta

Permite identificar e ligar o saco herniário por uma pequena incisão na região inguinal. É uma técnica tradicional e amplamente utilizada.

Videolaparoscopia

Permite visualizar internamente os dois anéis inguinais e pode ser especialmente útil em algumas hérnias bilaterais ou situações selecionadas.

As duas abordagens são aceitas. A escolha deve considerar a criança, o tipo de hérnia, a experiência da equipe e os recursos disponíveis. Não existe uma única técnica melhor para todos os pacientes.

A hérnia do outro lado precisa ser operada?

Nem toda criança precisa de exploração ou correção preventiva do lado sem hérnia aparente. A decisão é individual e pode considerar idade, prematuridade, lado da hérnia, sexo, achados laparoscópicos e risco estimado de uma hérnia futura.

Como costuma ser a recuperação?

Muitas crianças recebem alta no mesmo dia, após acordarem bem da anestesia, aceitarem líquidos e apresentarem controle adequado da dor. Bebês pequenos, prematuros ou crianças com condições clínicas específicas podem precisar de observação hospitalar.

01

Dor e medicação

O desconforto costuma ser controlado com analgésicos orientados pela equipe. Não utilize medicamentos sem seguir a prescrição.

02

Curativo e banho

As orientações variam conforme a técnica e o tipo de curativo. A família recebe instruções específicas na alta.

03

Atividades

Crianças pequenas geralmente regulam a própria atividade. Escola, esporte e esforço físico são liberados conforme a recuperação e a orientação do cirurgião.

Febre persistente, vômitos repetidos, dor que piora, inchaço progressivo, vermelhidão intensa, secreção na ferida ou dificuldade para urinar justificam contato com a equipe ou nova avaliação.

Hérnia inguinal em bebês prematuros

A hérnia é mais frequente em prematuros, mas o melhor momento da cirurgia precisa equilibrar dois riscos: encarceramento enquanto se aguarda e complicações respiratórias ou recorrência associadas a uma cirurgia muito precoce.

Por isso, idade corrigida, peso, histórico de apneia, necessidade de oxigênio, condições clínicas e possibilidade de monitorização após a anestesia fazem parte da decisão. O planejamento deve ser individualizado entre cirurgia pediátrica, anestesia e neonatologia quando necessário.

Perguntas frequentes

Dúvidas das famílias sobre hérnia inguinal infantil

Chorar muito causou a hérnia?

Não. O choro apenas aumenta a pressão dentro do abdome e torna visível uma comunicação que já existia.

A hérnia pode sumir e voltar?

Sim. A saliência pode desaparecer quando o conteúdo retorna ao abdome, mas a passagem continua presente e a hérnia pode reaparecer.

Se não dói, ainda precisa operar?

Geralmente, sim. A ausência de dor não significa que a comunicação fechou nem elimina o risco de encarceramento. O momento da cirurgia é definido após avaliação.

Hidrocele e hérnia são a mesma coisa?

Não. Na hidrocele há acúmulo de líquido ao redor do testículo; na hérnia, estruturas do abdome atravessam a região inguinal. Algumas hidroceles comunicantes e hérnias podem ter apresentação parecida.

Pode ter hérnia dos dois lados?

Sim. Ela pode ser bilateral desde o início ou surgir no lado oposto posteriormente. A avaliação do outro lado depende das características de cada criança.

A consulta pode ser realizada pela Unimed?

Sim. O atendimento no Instituto Doutor Paulo Leite, em Araguari, é realizado de forma particular e pelo convênio Unimed, conforme a cobertura do plano.

Referências utilizadas

Conteúdo educativo revisado pelo Dr. Fabrício Gonzaga e fundamentado em diretrizes e revisões de cirurgia pediátrica.

Avaliação em cirurgia pediátrica

Percebeu um abaulamento na virilha da criança?

Agende uma consulta em Araguari para confirmar o diagnóstico e planejar a conduta adequada.

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